Saturday, October 20, 2007

Coisas.

Coisas. As coisas. Tão imperceptíveis por vezes.
Tão frágeis e ténues, um cristal
Tão fortes e intensas, dicotomia afinal
São elas. As coisas.
Podem ser tão doces e tão ternas, flutuantes nos pensamentos, utópicas,
Abraçam ilusões e susurram desejos.
São sonhos, são quimeras..são um castelo de encantar ou um gelado num dia de verão.
Outras há que são tormento, tristeza e desilusão,
Podem se acercar do medo e confusão.
Podem ser incertas e tomar por certa a razão.
Tão vulneráveis, tão ingratas que elas são.
Dou por mim a pensar nas coisas. No que querem de mim. No que quero delas.
Agora sei, agora não.
Tenho por certas algumas coisas, porque sei o que elas são.
Mas outras há, então...
Parto á descoberta. Nada é em vão.

Sunday, September 16, 2007

O vazio.

Ás vezes. Nem sempre. Mas ás vezes, sou o vazio. Tento justificar o porquê de não ter escrito nada nestes últimos tempos. Mas enfrento um porquê sem justificação. Não haviam. Tinham desaparecido. As palavras.

Ainda me esforcei para encontrar algumas. Bonitas, perfeitas, tristes, pensadas, sentidas..Ou talvez incoerentes, desacertadas, despercebidas, irreflectidas. Palavras de riso e alegria, palavras de lágrimas e tristeza. Mas não. Não haviam. Não as encontrava.

Dei por mim a perseguir a razão, tentando clarificar se não encontrava as palavras ou se nem sequer as procurava. Percebi que eram as palavras que me seguiam, e não eu que as tentava alcançar. Quando assim é, gosto de não escrever.

Escrevo porque tenho palavras, ou pelo menos penso e sinto que tenho. Quando sou o vazio, sou a incoerência, caio na monotonia e na impessoalidade. Na realidade, um vazio também pode ser pessoal, mas se as palavras são vazias, então nem sequer devem ser escritas.

Apesar de tudo, gostei. Gostei de olhar pela janela, de sentir e ver mas não pensar nem escrever. Gostei de não ter palavras. Há alturas em que não queremos encontra-las nem sequer pensar nelas. Não precisamos de as dizer e nem de as escrever. São pura e simplesmente dispensáveis.

Agora, encontrei estas palavras. Talvez tenham sido elas que tenham vindo ter comigo. Não importa. No meu regresso, fica a certeza de que estas não são vazias.

Wednesday, February 21, 2007

A melodia


É tarde. Tomo café. Fecho os olhos.
Fecho os olhos para o mundo, abstenho-me da realidade.
Por momentos tudo pára, a tela está branca.
Subitamente ouço uma nota, outra... Um som, uma melodia.
Música.
Deixo envolver-me, saboreando pausadamente a mensagem que aquele conjunto de notas musicais me quer transmitir. Á melodia misturam-se palavras. Fica tudo mais claro, mais evidente.
Sorrio, e ao sorriso juntam-se as recordações. Surgem devagarinho e parecem beijar-me docemente pedindo para não mais as esquecer.
Sinto todo o meu corpo a flutuar. A tela não está mais branca mas sim recheada de paisagens que se movem muito lentamente diante de mim. Mostram-me os tempos de menina, o que fui, o que vivi, o que sonhei e ainda sonho...
O filme avança e as paisagens também...O que sou hoje, o que tenho, o que desejo invadem agora o quadro e mostram-me que sou feliz.
Subitamente a música termina, a tela está novamente branca.
Acordo. Olho ao espelho...continuo a sorrir...
Gostei do sonho.
Gosto de pintar o meu quadro.

A festa do " faz de conta "

Olá. Estou aqui. Sim, sou eu mesmo, no meio da multidão, acercando-me de pessoas em cujas faces pairam sorrisos e olhares discretos que deliciosamente se misturam com as tintas de inúmeras cores. Amarelo, azul, vermelho, verde, todas bailam criando um inegualável arco-íris de pura diversão e magia. Aqui e ali brilhantes caem do céu, explodem de alegria no ar querendo anunciar a festa do " faz de conta ".
E eu estou ali...ao meu lado passam reis, palhaços, bonecos de trapos, fadas madrinhas, príncipes e princesas e tantas personagens de banda desenhada cujas peripécias, histórias e histórinhas cheguei alegremente a devorar em miuda. Vejo o ridículo misturar-se com o mágico, o satírico convivendo alegremente com o inocente..a confusão e o deslumbramento a dançar no meu pensamento... Quem diria, a princesa a falar com a bruxa má, o polícia e o ladrão a brindarem e a rirem a bandeiras despregadas...Extremos que se tocam..É, indubitavelmente, a máscara a tomar conta da razão...
E eu ali, a sorrir e a observar o mundo de tudo ao contrário, de nada certo, de tudo trocado...apesar disso um mundo feliz...na festa do " faz de conta "...